segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Carros ficam mais caros para deficientes

A manter-se tal como está a proposta de Orçamento do Estado (OE) para 2010, os deficientes vão passar a pagar mais 20 por cento pelos carros do que até aqui. O problema foi denunciado hoje pela Associação Todos com a Esclerose Múltipla (TEM), que pede a rápida rectificação do documento.(ler mais)

Transplante de células-tronco da medula



Após cirurgia, doentes crônicos voltaram a fazer tarefas cotidianas, aponta pesquisa da USP


Após o transplante, uma maioria de pacientes reconheceu a evolução da saúde com o tratamento. Pacientes com esclerose múltipla que se submeteram ao transplante de células-tronco hematopoiéticas (produzidas pela medula óssea) puderam voltar a sonhar com um futuro promissor.(ler mais)

Leite na gestação pode reduzir risco de esclerose futura no bebé

Mulheres que bebem bastante leite durante a gravidez podem estar a proteger o seu filho do desenvolvimento futuro de esclerose múltipla, concluiu estudo realizado em 35 mil mulheres e suas mães, avança o site Sapo Saíde.

Vasos sanguíneos ajudam a explicar esclerose múltipla


Mais de 55% dos doentes com esclerose múltipla apresentam constrição dos vasos sanguíneos no cérebro, revela um estudo norte-americano, cujas conclusões finais serão apresentadas numa conferência de Neurologia, a decorrer em Abril, avança o site Tribuna Médica Press. (ler mais)

sábado, 22 de agosto de 2009

Doença semelhante à EM, em ratos, é suprimida pela fusão de duas protainas imunitárias


Investigadores canadianos relataram que ratos com uma doença semelhante à esclerose múltipla recuperaram, tendo sido suprimido o ataque imunitário que conduz da doença, quando a equipa lhes administrou o “GIFT15” – um composto formado pela fusão de duas proteínas imunitárias. O Dr. Jacques Galipeau (médico da Universidade McGill, em Montreal) e os seus colegas relatam o que descobriram na revista Nature Medicine (9 de Agosto de 2009).

Antecedentes: A esclerose múltipla ocorre quando o sistema imunitário ataca o cérebro e a espinal-medula. Há muito que se sabe que as células imunitárias T têm um papel importantíssimo nestes ataques, mas há cada vez mais evidências sobre o papel desempenhado pelas células B. Os investigadores relataram que – tal como um sub-conjunto de células T chamadas “T regs” pode regular ou suprimir um ataque imunológico – existe um sub-conjunto de “B regs” que poderia ser capaz de fazer o mesmo.

O estudo: A equipa do Dr. Galipeau desenvolveu um composto chamado “GIFT15” fundindo conjuntamente duas proteínas imunitárias (GM-CSF e interleucina-15). Pretendiam originalmente usar o composto para estimular a rejeição de tumores pelo sistema imunitário, mas descobriram que ele tinha uma poderosa e inesperada capacidade de suprimir o sistema imunitário. Prosseguindo os estudos, adicionaram o GIFT15 a células B isoladas em lamelas laboratoriais, constatando que ele transformava as células B em B regs. Para testar as suas características imunosupressoras, a equipa administrou então as células B regs a ratos com EAE (encefalomielite alérgica experimental), uma doença semelhante à esclerose múltipla. Descobriram que o tratamento suprimia o ataque imunitário e fazia desaparecer os sintomas clínicos.

Comentário: “Esta estratégia é nova porque se foca na amplificação das capacidades das células imunitárias B do próprio corpo de pararem o ataque, mas muito mais investigação será ainda necessária antes de se saber se esta aproximação será realmente útil para tratar eficazmente e com segurança seres humanos – e não apenas ratos – afectados pela EM”, diz o Dr. John Richert, Vice Presidente Executivo para a investigação e programas clínicos da National MS Society (EUA). “Esperamos vir a saber mais sobre as células B regs e como poderemos dominá-las para as usar em estratégias terapêuticas na EM.


Fonte: NMSS – Natonal Multiple Sclerosis Sciety

Sequência Terapêutica

Sequência Terapêutica
Será a imunomodulação na esclerose múltipla potenciada por uma imunossupressão inicial?

A esclerose múltipla é uma doença autoimune de causa desconhecida e com uma patogénese muito complexa. O objectivo dos tratamentos na EM é modular o sistema imunitário, em vez de o suprimir.

O acetato de glatiramer (Copaxone) é um tratamento imunomodulador aceite para a EM. Adicionalmente ao seu mais conhecido mecanismo de acção, que consiste em bloquear a interacção entre as células T e a mielina, pensa-se que haverá outros. Em pessoas tratadas com este produto, pode ser utilizada a avaliação de uma propriedade específica das células T, para monitorizar os benefícios do tratamento.

Para além disso, outros tratamentos com propriedades imunossupressoras, tais como a mitoxantrona, também provaram ser eficazes na EM. Foi demonstrado que um curto período de tratamento com mitoxantrona, antes do tratamento com Copaxone, melhora a resposta clínica a este medicamento.

Os autores deste estudo investigaram o impacto da mitoxantrona, quando administrada imediatamente antes do tratamento com Copaxone na propriedade específica das células T, que anteriormente havia sido associada aos efeitos terapêuticos do mesmo. Descobriram porém que o tratamento com a mitoxantrona não modificou aquela propriedade específica das células T. Tais resultados fazem sobressair a complexidade do mecanismo de acção do Copaxone.


Autores: Bar-Or A, Oger J, Gibbs E, Niino M, Aziz T, Renoux C, Alatab S, Shi F, Campagnolo D, Jalili F, Rhodes S, Yamashita T, Fan B, Freedman M, Panitch H, Arnold D, Vollmer T.
Fonte: Mult Scler. 2009 Aug;15(8):959-64

Os cuidados de saúde prestados a portadores de EM pelos respectivos familiares representam desafios singulares

Os cuidados prestados a portadores de EM pelos respectivos familiares representam desafios singulares – um estudo financiado pela Sociedade Americana de EM, aponta para a necessidade de repouso e de cuidados de saúde mental para os familiares que prestam cuidados.

Um estudo com enfoque nos familiares de doentes de EM portadores de incapacidade moderada a severa, evidencia a singularidade demográfica desta população e a sua necessidade de apoios. Robert Buchanan, um investigador de cuidados de saúde da Universidade do Estado do Mississípi (EUA) e os seus colegas publicaram os resultados na edição de Julho de 2009 da revista Disability & Rehabilitation. O estudo foi financiado pela Sociedade Americana de EM.

Antecedentes: Estudos anteriores sugerem que, em determinado momento, cerca de 30% dos portadores de EM requerem assistência e cuidados em suas casas, e que 80% destes cuidados são providenciados por prestadores informais e gratuitos, normalmente membros de família. Este tipo de cuidados é importante se ajudar os portadores a ficar em casa em vez de serem transferidos para lares. Para melhor compreender os cuidados informais prestados às pessoas com incapacidade moderada a severa e outros aspectos de cuidados continuados de longa duração na EM, a Sociedade Americana de EM lançou um concurso pedindo propostas para uma investigação sobre este tópico, ao abrigo de um Programa de Investigação sobre Prestação e Políticas de Cuidados de Saúde. A equipa do Dr. Buchanan foi seleccionada e financiada para realizar o estudo sobre assuntos relacionados com cuidados continuados de de longa duração, incluindo cuidados informais no domicílio da pessoa com EM.

Desenho do estudo: Depois de vários grupos temáticos terem auxiliado no desenho do estudo, foram feitas entrevistas telefónicas com 530 pessoas, cada uma delas prestadora da maior parte dos cuidados informais ou dos cuidados gratuitos a pessoas com EM. O estudo centrou-se especificamente em prestação de cuidados envolvendo portadores com incapacidade moderada a severa. Os participantes foram identificados através de um mailing dirigido a milhares de portadores inscritos no NARCOMS, um registo voluntário de doentes.

Resultados: A vasta maioria (78%) dos prestadores de cuidados eram os esposos, sendo em mais de metade dos casos, os maridos. Quarenta por cento referiram que havia outro prestador de cuidados envolvido e, destes, metade eram filhos. Trinta por cento também referiram que tinham um ou mais prestadores de cuidados pagos, empregadas domésticas, auxiliares ou enfermeiras(os). Quase metade disse prestar mais de 20 horas de cuidados por semana. Os cuidados variavam desde tarefas domésticas como compras, preparação de refeições e gestão financeira, a cuidados pessoais como administração da medicação, injecções, higiene pessoal, etc..

O impacto dos seus papéis informais, enquanto prestadores de cuidados, foram significativos. Mais de 40% dos prestadores que estavam empregados referiram que as suas tarefas os obrigaram a reduzir a duração das jornadas de trabalho em relação ao ano anterior, e 77% deles tinha que trabalhar até mais tarde, deixar o trabalho mais cedo, ou pedir licenças para atenderem às suas responsabilidades de prestação de cuidados. Dez por cento dos que responderam ao inquérito disseram que não podiam trabalhar para poderem atender às suas responsabilidades de prestadores de cuidados.
Entre os desafios mais frequentemente enfrentados pelos prestadores de cuidados informais, mais de metade referiram precisar de ajuda para encontrar mais tempo para si mesmos, e quase metade precisava de ajuda para gerir as suas emoções e o stress físico. Cerca de 26% dos participantes sentia que poderia beneficiar de tratamento ou aconselhamento por um profissional de saúde mental, mas apenas um terço dos que reconheceram esta necessidade procurou tal tipo de ajuda.

Apesar dos vários desafios enfrentados pelos prestadores de cuidados informais, a esmagadora maioria dos que reponderam ao inquérito disseram estar felizes em poder ajudar, que achavam a prestação de cuidados gratificante e que estavam orgulhosos dos cuidados que prestavam.

Os investigadores compararam as características dos prestadores de cuidados informais a portadores de EM com as dos prestadores de cuidados noutras situações de deficiência/doença, e encontraram diversos aspectos que caracterizam algumas singularidades no caso das pessoas com EM:
A EM é uma doença crónica, e os prestadores de cuidados ocuparam-se da pessoa com EM durante uma média de 13,2 anos, comparados com uma média nacional de 4,3 anos;
Cerca de 50% dos prestadores de cuidados na EM referiram despender 20 horas ou mais por semana nesta tarefa, contra 25% no estudo nacional;
Os prestadores de cuidados na EM eram mais frequentemente maridos que viviam na mesma casa da portadora que necessitava dos cuidados; a nível nacional, a maior parte dos prestadores de cuidados eram mulheres que não viviam com a pessoa a quem prestavam os cuidados;
Os prestadores de cuidados na EM eram mais velhos, com uma média de 60 anos de idade, comparados com a média nacional de 46 anos.

Esta comparação sublinha a necessidade de apoio para os membros da família e para outros prestadores de cuidados informais a pessoas com estados avançados de EM uma vez que, em comparação com as médias nacionais para outras situações, cuidar de uma pessoa com EM leva a muitos anos de cuidados em casa por um(a) esposo(a) de bastante idade, lidando com os muitos desafios e sintomas próprios de uma doença crónica. Este estudo ajudará no desenvolvimento de programas de apoio quer da Sociedade de EM americana quer de outras instituições

Fonte: NMSS – Natonal Multiple Sclerosis Sciety